São Jorge


 Famoso pelo seu queijo da ilha, São Jorge é composto pelas suas maravilhosas Fajãs que dão à ilha uma identidade única. A mais famosa, a Caldeira de Santo Cristo, apresenta uma fabulosa lagoa onde são apanhadas ameijoas enormes, as únicas dos Açores. Mais raro ainda são os pequenos micro-climas que as Fajãs apresentam tornando a volta à ilha inesperada. As suas duas pontas permitem uma vista para o mar incrível. Tal como no resto do arquipélago, São Jorge tem excelentes condições naturais para a prática de actividades marítimas como mergulho, pesca, vela ou caiaque. As ondas da Fajã da Caldeira de Santo Cristo são vistas como uma Meca europeia do surf e bodyboard, modalidades que têm outros spots interessantes na costa norte. Encontram-se piscinas naturais nas Velas, Fajã do Ouvidor, Fajã Grande e Topo. Em terra, a geografia da ilha propicia passeios pedestres ou circuitos de BTT inesquecíveis. A escalada desportiva, com base na Urzelina, e o canyoning estão a conhecer grande desenvolvimento. Com o auxílio de guia e equipamento adequado, a espeleologia encontra abrigo nos algares do Montoso e das Bocas do Fogo, os quais, com 140 e 120 metros de profundidade, respectivamente, constituem um desafio para amadores e especialistas. As “fajãs”, designação igualmente utilizada nos arquipélagos macaronésicos da Madeira e de Cabo Verde, são o principal ex-líbris da paisagem jorgense. Superfícies aplanadas formadas junto ao mar e debruadas por arribas mais ou menos imponentes, as fajãs resultam quer de fluxos de lava que avançaram mar dentro (como é o caso da Fajã do Ouvidor), quer de desprendimentos de terras e rochas encosta abaixo (como é o caso da Fajã dos Vimes) devido a abalos sísmicos, chuvas intensas ou outras instabilidades que afectam as arribas. Os solos férteis, o resguardo contra os ventos fortes e nevoeiros que se fazem sentir na parte central mais elevada da ilha e as condições climáticas favoráveis que apresentam, cativaram os povoadores para o cultivo permanente destas diminutas planícies, mau grado as dificuldades de acesso de algumas delas. De feijão a banana, de inhame a café, de batata a laranja, tudo parece medrar nestas zonas, onde o imponente dragoeiro não tem pejo em crescer. Com o passar dos anos, as crescentes exigências da modernidade e a sua vulnerabilidade aos caprichos naturais, diversas fajãs foram abandonadas pelos residentes, mas muitas ainda permanecem habitadas todo o ano, ou apenas em certas épocas, mormente associadas a festividades e actividades agrícolas. As mais de 70 fajãs da ilha de São Jorge simbolizam a beleza natural e o isolamento que dominou parte da história da ilha e oferecem panorâmicas extraordinárias e impares que são melhor exploradas tirando partido da rede de percursos pedestres existente na ilha. Das fajãs detríticas dos Cubres e da Caldeira de Santo Cristo com as suas lagunas costeiras, às fajãs lávicas das Velas, das Almas ou do Ouvidor, é grande o leque de locais a desfrutar. A natureza vulcânica da ilha pode ser apreciada percorrendo as estradas e caminhos que serpenteiam pela cordilheira central de São Jorge, onde duas centenas de pequenos cones exibem as suas crateras outrora activas, e agora gentilmente ocupadas por pequenas lagoas, charcos temporários ou zonas de turfeira. Os picos da Velha, da Esperança ou do Areeiro têm miradouros assinalados, que providenciam vistas deslumbrantes sobre a zona costeira e de onde, erguendo o olhar, se vislumbram os contornos das ilhas Faial, Pico, Graciosa e Terceira, tão longínquos e ao mesmo tempo tão próximos. A travessia deste dorso ondulante é mais um convite para conhecer e usufruir a natureza de São Jorge, onde às crateras das Bocas do Fogo, activas em 1808, sucedem-se pastagens naturais e semi-naturais, que coelhos bravos e milhafres utilizam como habitat. Molhos de hortênsias delimitam as pastagens e manchas de criptoméria e de urze compõem a moldura vegetal da ilha.

 Fonte: www.visitazores.com